sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Pior que telemarketing, só mesmo a gravação

O celular apitou três novas mensagens no correio de voz, de três números desconhecidos. A gravação, de voz bem familiar, diz:
(15h)
Por favor, digite a sua senha e em seguida tecle asterisco.
Dois, quatro, sete, cinco #
Senha incorreta, por favor, digite a sua senha e em seguida tecle asterisco.
Dooois, quaaatro, seeete, ciiinco #
Senha incorreta, por favor, digite a sua senha e em seguida tecle asterisco.
Doooooooooois, quaaaaaaaaatro, seeeeeeeeeeete, ciiiiiiiiiiiiiiiinco #
Senha incorreta, por favor, digite a sua senha e em seguida tecle asterisco.
(15h15)
Dois, quatro, sete, cinco, dois, quatro, sete, cinco, dois, quatro, sete, cinco, dois, quatro, sete, cinco ############
Senha incorreta, por favor, entre em contato com um de nossos operadores pelo telefone, # 8455.
#8455, a voz masculina bem familiar também diz:
Obrigada por ligar para a nossa empresa, se você está tendo algum problema técnico tecle um, se quer falar sobre a sua fatura tecle dois, se quer efetuar alguma compra tecle três, se quer ajuda com algum outro assunto tecle quatro, se quer falar com um de nossos atendentes tecle cinco.
Um.
(15h30)
Não entendi, vou repetir para que você possa escolher a opção adequada. Um, problema técnico, dois fatura, três compra, outro assunto digite quatro e cinco para falar com um de nossos atendentes.
Um.
Você está tendo dificuldades, por favor vou repetir mais uma vez para que você possa escolher a opção adequada. Um, problema técnico, dois fatura, três compra, outro assunto digite quatro e cinco para falar com um de nossos atendentes.
Uuuuuuuum.
Entendi, para que possamos localizar o problema digite o código da sua fatura, ou o número do CPF do titular.
003306777746
(15h40)
Código inválido. Por favor digite o código da sua fatura que está no canto direito superior, ou o número do CPF do titular.
Meu Deeeeus 003306777746.
Pronto localizei. Agora se você acha que o problema é na linha digite um, não tem problema se você não tiver certeza. Agora, se você acha que é um problema de sinal, tecle dois.
Um.
Não entendi, vou repetir para que você possa escolher a opção adequada. Se você acha que o problema é na linha digite um, não tem problema se você não tiver certeza, digite um, se você acha que é um problema de sinal, tecle dois.
Uuuuuuuuuuuuum.
Certo, vou te transferir para um atendente especializado, mas antes vou te passar o número do protocolo, por favor anote: 581236. Se você deseja que eu repita o número do protocolo digite um, se não digite dois que eu transfiro sua ligação imediatamente.
Dooooooooooooois.
Entendi, vou transferir a ligação.
(15h55)
Os: entra a musiquinha.....
musiquinha.........
musiquinha......
musiquinha..........
(16h05)
musiquinha.......
musiquinha..............
musiquinha..........
musiquinha.......
(16h20)
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu ...........
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Feliz aniversário papai!

Lembro da gente correndo na pista de corrida da Unicamp e praticando salto a distancia, eu devia ter uns sete anos, me sentia a menina mais corajosa e capaz. Estávamos treinando para as olimpíadas do Rio Branco, lembra?? Não me lembro se ganhei ou não, mas lembro da sua atenção em estar comigo ali naquele momento,.como esteve em tantos outros quando precisei, nos alegres e difíceis. Lembro do pássaro preto, o Negão, e tinha também um coleirinha e um bigodinho que cuidávamos e eles cantavam... cantavam. Sempre me ensinou a preocupação com os bichinhos e plantinhas. Lembro de quando eu fazia alguma coisa errada.... você me sentava na sua frente e falava comigo, e eu entendia.... quando somos crianças e adolescentes fazemos muitas besteiras, mas foi com você que aprendi isso, que realmente eram besteiras. Pimentinha, magrissa, e o assovio inconfundível do meu pai, posso ouvi-lo a quilômetros de distância.... ai a distância. Sinto tanta saudade..... é difícil as vezes. Saí de casa tão cedo, já faz oito anos.... saí querendo conquistar o mundo, a enfrentar o que tivesse que ser para alcançar um sonho... uma certeza, assim como você me ensinou. E cai, e levantei... e cai, e levantei... e levanto até hoje porque tenho você, meu pai, a minha mãe e minha irmã que são minha riqueza, o tempo todo me incentivando, apoiando, socorrendo.... e isso para mim, é o melhor presente que eu poderia ter. Vocês! Não tenho muitas lembranças dos meus dois e três anos, mas lembro que você me fazia dormir no colo, com um paninho no rosto... e era tão aconchegante... suave, tranqüilo. Tem muitas coisas, preciosidades que eu não me lembro dessa época tão importante, mas vejo você cuidando do seu netinho e as vezes fico observando... você e a mamãe juntos educando, cuidando, ensinando coisas tão preciosas... pequenas e importantes, que fazem toda a diferença e é como se visse de perto porque hoje sou o que sou. O caráter inquestionável, a conduta exemplar, orgulharia a qualquer filha, como me orgulha muito. Só tenho a te agradecer nesse dia tão especial. Que bom ser sua filha, amiga e admiradora. Obrigada pela educação, apoio, socorro, confiança, amor, carinho, obrigada pelas palavras certas nas horas certas que você sempre tem para me oferecer. Obrigada pela preocupação e cuidado. Obrigada, obrigada, e obrigada. Desejo a você nesse dia, além de muita saúde, muitas felicidades, muito amor.... desejo também muitos sonhos, muitas realizações, idéias surpreendentes, que você continue transformando tudo ao seu redor, e inovando dentro de você a felicidade. Conte comigo sempre, sempre.... quando precisar é só assoviar... que eu vou! Te amo muito.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
exatamente aqui!

O que chamou a atenção foi o som da flauta que mesmo sendo transversal era doce. Sentou na janela do quarto, a brisa compunha a cena fazendo seus longos cabelos indicarem a direção do som. Ali de cima ela podia ver tudo, toda a vizinhança. Os quintais das casas de trás, as fachadas das da frente, e as janelas das que também eram sobrados. As vezes espiava pela fresta da janela por um dia inteiro a rotina de uma casa, gostava de saber como as pessoas agem quando não sabem que estão sendo vistas. Viu aquela briga do casal da frente, a discussão durou três dias, e a reconciliação seis, acompanhou cada capítulo com imenso entusiasmo. Viu quando o cachorro da vizinha morreu, e não tinha ninguém em casa, viu quando eles chegaram e a tristeza. Ouviu e viu os dias que a criança da esquerda a frente gritava chamando o Papai Noel e o vizinho colado aqui a direita respondia ho ho ho, e a menina ficava muda olhando com cara de quem viu assombração, mas feliz. Não comentou com ninguém, agiu como se fosse segredo, e as vezes a menina ia até a janela e chamava novamente por ele.... e ele respondia... e ela saia satisfeita. Hoje todas as janelas estavam fechadas menos essa. A Lua não apareceu nesse dia, mas haviam algumas estrelas, poucas, mas presentes. As nuvens brancas contrastavam com o azul escuro do céu, e também seguiam o som, tomando formas que só para ela faziam sentido. O telhado da casa da frente cobria o terraço da casa do outro lado da rua, onde estavam todos eles tocando e cantando, ela não via, mas ouvia cada nota. Uma voz linda cantava Chico, sua música preferida, numa afinação surpreendente, pensou em ir até lá e tocar a campainha, mas sentiu que o resto também lhe dava muito prazer. Olhar as nuvens, as casas dormindo, o perfume que a brisa trazia, o friozinho da madrugada, tudo se encaixava perfeitamente com a música, viu que queria estar exatamente ali, onde estava. Gostava de ficar sozinha, mesmo sendo sábado. Pensou que poderia estar em milhares de lugares nesse momento nessa cidade grande, cheia de infinitas possibilidades, mas realmente preferia estar ali. A dama da noite floria de novo, flores tão pequenas e tão perfumadas. Olhou em volta e algumas casas já piscavam as luzinhas de Natal. Algumas amarelinhas piscavam desordenadas nas sacadas e janelas de uma casinha bem a direita no fim da rua, e umas vermelhinas e verdes acompanhavam o telhado duas para cá. A esquerda do lado de cá da rua via um Papai Noel inflável preso no muro. Ele não estava nem em cima nem embaixo, estava amarrado bem no meio do muro, flutuando. Ela lembrou da mãe que iluminava a casa toda no Natal. Contornava cada porta por dentro e por fora. Eram luzinhas brancas que piscavam e tocavam música. O pai companheiro como sempre tratava de pregar tudo com seu cuidado especial. E tudo ficava lindo. Iluminado.
De repente a música parou, ouviu a conversa de longe, mas não entedia o que diziam. Ouviu eles entrando na casa e nessa hora, que acenderam a luz de dentro, viu todos passarem pela sala com garrafas, copos, e instrumentos... carron, flauta, chocalho, baixo acústico (grande e lindo, ela ficou hipnotizada durante a sua passagem breve pelo curto espaço da janela), acordeon, pandeiro, e violão. A última a passar que estava sem instrumento nenhum aparente, e devia ser a dona da voz, fechou a janela. Ela olhou a última vez para o céu e pulou para dentro do quarto, deitou e se enrolou no cobertor macio, e fechou os olhos, tinha muitas coisas para pensar agora.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A maldição do samba

Páticarigundum... páticarigundum... páticarigundum... adiguirimguidim...
e o coração acelera...
páticarigundum adiguirim adiguirim... adiguirimguidim... adiguirimguidim...
o corpo vibra sozinho....
o calor....
não existe pensamento, só sensação....
não sei que coisa é essa que o batuque faz comigo, desde que nasci sempre me achei negra!
Quero morrer numa batucada de bamba... na cadência bonita do samba!
é doce e azedo!

Prefiro morango. Prefiro morrer de amor, do que viver sem amar. Prefiro arriscar tudo mesmo desconfiando que não vai dar certo. Prefiro tomar a iniciativa do que esperar que alguém faça alguma coisa. Prefiro tocar do que dançar conforme a música. Prefiro pintar a unha de azul do que seguir a moda. Prefiro ficar sozinha do que mal acompanhada. Prefiro ser atriz sem grana do que advogada rica. Prefiro samba que música eletrônica... porque bate no coração e na alma, porque posso ser o que eu quiser inclusive uma advogada rica, porque sou uma ótima companhia, porque gosto de unha azul e foda-se a moda, porque se quero um rock... é um rock que eu vou ter, porque assim as coisas se resolvem mais depressa, porque tudo muda sem a gente esperar, porque amar é viver, porque é doce... e azedo!
sábado, 15 de novembro de 2008
A formiga: PARTE 1

Ela estava sozinha, sozinha mesmo, olhei por toda a volta e não vi nenhuma companheira por perto. Quem será que ela estava seguindo, será que ela estava perdida?? Cadê sua fila, como sabia para onde ia? Tentei colocar mil obstáculos para ver se ela mudava de direção mas não, ela não parava nem um minuto, sinal que não pensa, ela não parou para pensar em nenhum minuto, tinha certeza do que tinha que fazer. Quanto mais eu a perturbava , mais rápida ela ficava, determinada. Resolvi deixa-la em paz, mas a segui. Ela atravessou todo o tapete, a sala, entrou na cozinha, deu a volta, e foi em direção ao armário. Quando subiu na parede... caiu, caiu dura e imóvel no chão. Estranho.... muito estranho... ficou lá uns 40 minutos. Guardei ela numa caixinha de fósforo, mas no dia seguinte ela tinha sumido de lá, ela e três bolachas recheadas. Eita formiguinha danada. Anda por aí sozinha e quando vê que está sendo seguida se faz de morta, para me assaltar de madrugada.